sexta-feira, 6 de março de 2015

APRESENTAÇÃO

Prezado(a) aluno(a).

Sou Genival Pereira, professor de Educação Física formado pela Universidade de Brasília, especialista em Educação Física escolar pela Universidade Estácio de Sá. É com grande satisfação que o livro de Educação Física para os anos finais do ensino fundamental. Ele é fruto de um trabalho intenso, com a colaboração de outros colegas professores, também vinculado a área da Educação Física escolar.
A proposta aqui apresentada se distancia daquela velha prática que considera a Educação Física Escolar essencialmente prática, desprovida de conhecimentos culturais, sociais e afetivos. Buscamos explorar as práticas corporais de forma integral, onde através de estudos, pesquisas, vivências você possa desenvolver competências que serão úteis na sua vida e das pessoas que convivem contigo.
É a Educação Física para a vida, de corpo inteiro, como diz Freire em seu livro. Podemos contar com você?

SUMÁRIO


CAPÍTULO 1 - OS JOGOS E SEUS SIGNIFICADOS SOCIAIS
CAPITULO 2 - ESPORTE: A POPULARIZAÇÃO DO FUTEBOL
CAPITULO 3 - VIAJANDO PELO UNIVERSO DA DANÇA

  1. A Origem da dança
  2. Ritmo na dança
  3. Expressão corporal
  4. Danças populares
CAPÍTULO 4 - A PRÁTICA DA GINÁSTICA: DA ANTIGUIDADE A ATUALIDADE

APRESENTAÇÃO DO CAPÍTULO "3" E OBJETIVOS

Apresentação,

Neste capítulo nós abordaremos a dança como uma manifestação cultural da humanidade. Iremos estudar a história dessa prática corporal, identificar os estilos mais presentes em nossa localidade e a possibilidade de vivenciarmos este conteúdo na escola. Para isso, também iremos estudar alguns conceitos ligados ao movimento rítmico e expressivo e experimentá-los nas.
Sabemos que muitas pessoas apresentam timidez para dançar. Durante as próximas aulas, nosso desejo é que cada um de vocês se superem e consigam vencer essa barreira para poder assim, aproveitar dos benefícios que essa prática corporal pode proporcionar para a qualidade de vida. A dança está no homem, só basta desenterra-la dentro de si.
Então, vamos encarar essa viagem pelo mundo da dança?

Objetivos:

No final deste capítulo esperamos que você seja capaz de:
ü  Compreender a história da dança analisando os diferentes significados a ela;
ü  Discutir com os colegas preconceitos atribuídos a esta manifestação corporal considerando a sua evolução histórica;
ü  Ampliar o conhecimento sobre os estilos de dança observando as peculiaridades de cada um;
ü  Desenvolver o ritmo e a expressão corporal realizando as atividades com os colegas;
ü  Pesquisar estilos de dança e folguedos presentes em nossa realidade organizando uma oficina prática;

ü  Participar de atividades rítmicas e expressivas respeitando os colegas;

CAPÍTULO 3 – VIAJANDO PELO UNIVERSO DA DANÇA

3.1 A ORIGEM DA DANÇA

A dança é uma das manifestações expressivas mais antigas da humanidade. Antes do homem se expressar através da fala ele já dançava. O seu surgimento teve origem na pré-história, quando os homens batiam os pés no chão. Aos poucos foram intensificando os sons, descobrindo que podiam criar outros ritmos, articulando os passos com as mãos e utilizando as palmas.
O surgimento das danças em grupo se deu através de rituais religiosos, nos quais as pessoas faziam agradecimentos, pediam aos deuses o sol e a chuva e celebrava a colheita. Também dançavam para expressar suas emoções e atrair alguém. Os primeiros registros destas danças foram encontrados no Egito, cerca de dois mil anos antes de Cristo.
Registro histórico de uma dança através de pintura rupestre (Google imagens).
Algumas pessoas falam que não apenas o homem dança, mas todas as coisas da natureza. O balançar das arvores, o vai e vem das marés, o voo dos pássaros, estas ações rítmicas expressivas parecem tomar forma de um bailado na natureza.




VOCÊ SABIA?
          
Nas civilizações antigas a dança tinha fundamental importância na formação do homem. Na Grécia ela foi primordial na formação do cidadão guerrilheiro, pois eles acreditavam que a marcação rítmica dos pés batendo no chão, intimidaria os adversários na hora da batalha. Diziam que os melhores dançarinos se tornavam os melhores guerreiros. Foi a partir daí que surgiu a ideia da importância da dança na educação, e Platão foi um percursor desta experiência com os jovens. Na Índia e na China, quando o sentido da dança era a adoração à divindades, os dançarinos usavam trajes coloridos e máscaras para aumentar a representação.


Atividade de pesquisa


Na sala de informática, formem grupos e pesquisem nomes de tipos de dança tradicionais de diversos lugares do mundo, como campesinas, danças circulares, danças de salão entre outras. Em seguida, socializem o resultado de sua pesquisa, sem repetir nomes, enquanto o professor anota no quadro. A próxima etapa é montar um mural com imagens de todos os estilos encontrados. As imagens podem ser recortadas de revistas e livros velhos, e as mais difíceis podem ser pesquisadas e impressas da internet. Depois do mural pronto, cada grupo deverá apresentar o estilo em que pesquisou.

3.2.1 RITMO NA DANÇA

Ritmo é sempre movimento, e como a dança envolve sempre essa característica, o ritmo se dá pela organização dos movimentos num tempo. Certo?  É por isso que podemos afirmar que mesmo sem música pode haver ritmo na dança. Podemos dançar sem música, batendo palmas, ou até sem nenhum som.
No entanto, a música nos estimula a dançar. Com ela nos sentimos prazer em executar movimentos já vistos ou cria-los. Nesse caso, sentimos vontade de acompanhar o ritmo que a música possui, combinando os sons com os movimentos. É assim com todos os estilos de dança; dançamos a música.
Na dança artística contemporânea, também se dança a música, mas o dançarino não fica limitado a ela. A dança, assim como a música, assume sua expressão artística particular e os coreógrafos podem usá-la da forma que melhor achar para expressar o que se deseja.

VOCÊ SABIA?

Tudo que existe no universo tem um ritmo próprio. Até mesmo os órgãos dentro do nosso corpo obedecem a um ritmo próprio que chamamos de interno. Um exemplo disso é o coração, que tem seus batimentos seguindo um padrão rítmico. Esse padrão pode ser alterado de forma involuntária, seja pelas emoções, por esforços físicos, ou outros motivos. Da mesma forma, na natureza,  as marés, o sol, a lua, a terra, estão sempre em movimento e seguindo um ritmo. Um determinado corpo pode influenciar o ritmo de outro, a exemplo das marés, que recebem influências das fases da lua. A terra leva vinte e quatro horas para completar uma volta em torno de si mesmo e um ano para completar um movimento completo em torno do sol. Dessa forma ela tem seu próprio ritmo de movimento inalterável.

Atividade de vivência

Vamos fazer uma atividade rítmica? Quero que um de vocês comecem a bater palma da seguinte forma: Duas batidas fortes e uma fraca, de maneira contínua. Em seguida, o aluno que estiver sentado depois tentará acompanhar o ritmo do colega, depois toda a turma. Vocês perceberam que produzimos um ritmo sonoro? Com qual estilo musical podemos associar esse ritmo?
Pois bem, acabamos de marcar com palmas um compasso ternário, que é a base rítmica da valsa. 

3.2.2 EXPRESSÃO CORPORAL

Entendemos por expressão corporal a capacidade do nosso corpo de transmitir algo, seja uma ideia, uma imagem, uma sensação, uma emoção. Já vimos que nossos antepassados expressavam a partir dos movimentos e das linguagens dos gestos o que sentiam em relação ao seu mundo e as coisas que aconteciam a sua volta. Eles celebravam acontecimentos como nascimento, morte, colheita, guerra, paz, enfim, a dança manifestava-se de forma ritualística. Nesse sentido a dança existia para expressar a relação do homem consigo mesmo e o mundo, e graças a sua evolução, hoje se pode desfrutar de seus movimentos, magia e prazer. Mas como nos exprimimos através da dança?
A expressividade na dança vem da verdade do movimento. Em outras palavras, é a intenção que gera o movimento; acontece quando conseguimos transmitir o que sentimos através de gestos. Como já enfatizado, essa intenção pode acontecer de forma diversa: dançamos para expressar sentimentos, emoções, para transmitir uma ideia, para socializar, etc.
Quando unimos a expressividade da dança à expressividade da música sentimos uma sensação de completude.

Atividade de vivência


Escolha um lugar na sua casa em que você se sinta confortável, selecione uma música do seu interesse e ouça. Depois, na posição de pé, repita a música e dance. Expresse naturalmente através de movimentos o que você sente. Inicie fazendo movimentos que você já conhece, e aos poucos, vá criando e explorando novos movimentos.  Se liberte! Permita sentir o prazer que é dançar livremente! Depois traga suas impressões para compartilhar em sala de aula.

3.3.1 DANÇAS POPULARES: QUAIS ESTILOS NÓS DANÇAMOS?

Para compreendermos o que são danças populares, precisamos entender o  significado de popular. Você sabe o que é popular? O que seria uma dança popular?
Popular é tudo aquilo que vem do povo, que é passado de geração para geração através da comunicação oral e coletiva. O mesmo acontece com a dança. Diz-se que pessoas que viviam no campo celebravam em determinadas épocas do ano de acordo com as fases da colheita e nestas festas, surgiram estilos de danças próprios destes povos. Com o passar do tempo essas danças foram levadas para outras regiões, sendo adaptadas de acordo com a nova realidade, e assim foram sendo popularizadas.
No nosso país, qual o estilo de dança podemos dizer que é popular? A quadrilha, o pastoril, o galante, o forró, o samba, entre outros. O Brasil é um país muito extenso e possui uma grande diversidade cultural originada de várias etnias.  Para exemplificarmos, apresentaremos alguns ritmos presentes nos Estados da região Nordeste.
Esta região possui os seguintes Estados: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí e Maranhão. Nestes Estados podemos encontrar uma rica diversidade de danças e folguedos, como por exemplo, as danças de Arauna, Ciranda, Coco de Roda, Camaleão, Xaxado, Frevo, entre outras. Os folguedos mais destacados são o Bumba meu boi, Cavalo Marinho, Chegança, Guerreiros, Maracatu, Pastoril, Reisado entre outros.

Atividade de pesquisa

1-    Formem grupos de até cinco pessoas e pesquisem danças populares ou folguedos presentes em nosso Estado.
2-    Descubra qual época do ano são vivenciados, o contexto onde elas se desenvolvem, os trajes e a forma como são desenvolvidas. Para isso, busquem em sites, analisem vídeos no site www.youtube.com para identificar os passos básicos destas danças ou folguedos.
3-    Com a ajuda do professor, elabore uma apresentação do estilo escolhido para vivenciar na escola.

AGUARDANDO A PRÓXIMA VIAGEM!

Chegamos ao fim dessa etapa da viajem ao mundo mágico da dança. Agora você conheceu um pouco mais sobre essa prática corporal milenar. Durante este percurso, trocamos experiências, superamos barreiras, nos divertimos, criticamos e sentimos na prática o prazer que a dança pode proporcionar.





Referências:
BARROS, Jussara. O que é a dança. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/artes/danca.htm>. Acesso em: 30 jan.2015.

SANCHES, Alcir Braga (coord.). Educação Física à distância: módulo 3.  Brasília: Universidade de Brasília, 2008.

PIZATO, Cleide. As Atividades Rítmicas e Expressivas Como Conteúdo nas Aulas de Educação Física. Ano: 2009. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/485-4.pdf Acesso em: 30 jan.2015.

CORDEL - DO ONTEM AO HOJE DA DANÇA

A dança é a primeira arte
Que no mundo o homem criou
Antes mesmo de falar
Pois não é que ele dançou
Celebrava acontecimentos
De tristeza, alegria e amor.

Até mesmo na bíblia sagrada
A dança um lugar ocupou
Posso citar o Rei Davi
Dançando para o senhor
Pela casa de Obede-Edom
Que o senhor abençoo.

As danças em grupo surgiram
Em rituais religiosos
Começou pelo Egito
Pois foi um dos primeiros povos
Pediam o sol e a chuva
E uma colheita vantajosa.

Na Grécia ela se veiculou
À formação de guerreiros
Acreditavam que o seu ritmo
Fosse bom para o cavalheiro
A dança era tão prestigiada
Quando a capacidade guerreira.

Mas foi em Roma quela se voltou
Para a sua forma sensual
Em homenagem ao deus baco
Dançavam em bacanal!
Regada a muita bebida
Era só prazer carnal.

Porém foi na idade média
Que ela retrocedeu
Seu uso considerado profano
O seu valor desmereceu
Mas mesmo assim, para os camponeses.
Sua prática permaneceu.

Durante o renascimento
Mudou-se a forma de dançar
Passou do improvisado
Para uma dança formal
Perdendo seu sentido lúdico
Deixando seu sentido total

Surgiu-se, com esse movimento.
Os espetáculos de dança
Com o balé da Itália
Se espalhando pela França
Os dançarinos eram formados
Desde o tempo de criança

A dança moderna surgiu
Para dar mais liberdade
 E a pessoa que dança
Ficar mais a vontade
Explorando todo corpo
Com movimentos variados

Veio romper com o balé
A dança contemporânea
Pois nela, o que mais vale
É a movimentação espontânea
Que expresse sentimentos, ideias
E conceitos momentâneos.

Por fim, a dança popular.
Por nós é mais praticada
Forró samba, coco de roda
Sempre anima a moçada
Temos folguedos legais
Êta cultura diversificada!

CHARGE

A charge seguinte ilustra como algumas pessoas tem medo de dançar e relacionam com algo difícil ou ruim. No entanto, sabemos que o real sentido da dança é se divertir, expressar sentimentos e celebrar com os outros.